“ESPADA-ARAUTO DA TERRA” ou
“NÃO EXISTEM IMÓVEIS”
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“NÃO EXISTEM IMÓVEIS”
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Me atirei da janela concreta
E me arruei em faísca de pedra.
Desmoronei desbroncando as marretas internas.
E quis deslizar no cimento. Cantando!
"Corri, corri!" Corri pra caramba.
De extasiar o peito
Num auto exalar de êxito.
Eu,
Espadarauto da Terra.
Saí cortejando as faces morteiras, anamórficas, geômetras
Dissociando-se se das áreas.
Não existem imóveis.
Não há números na porta.
Nem o gelo é liso
E mesmo assim deslizo!
Tchá! Vou cortando: “Disso eu sei!
Trago na lâmina a verdade em Sol:
Cá ecoam qual mosaico
As turgidas continuidades
De um morro capinado".
E eu,
Espadarauto da Terra
Só preciso refletir
Com luz as dores,
Com dobra as frestas,
Com cor as retas.
E atestar-me.
Espadando-me em fluxos nocivos,
Espirando as flores fúnebres
E asfaltando os cal-canhares.
Vim lembraminar esta vista!
Ver surgir e ressurgir os tempos idos deste bosque!
Ver surgir e ressurgir os tempos idos deste bosque!
Mesmo adepto do corte
O eco do bosque é forte
Entre o mal gerador da sorte
E o bem cultivando a morte.
Lá! O velho monte
É alvo!
É alvo!
Cá a velha feita
É seta!
É seta!
A chuva, um beijo quente
O ato.
Apenas acato o ato.
________________________Sobre o poema pelo autor:
Foi algo que me acometeu quando resolvi dar uma corrida pelo bairro, num dia que a monotonia e a esterilidade estavam me adentrando. De repente toda aquela manta de concreto que fora ali colocada e mantida, por décadas, não só velando como escondendo a natureza da montanha, se transpareceu ao passo da minha corrida e a ancestralidade do local se materializou dentro e fora de mim.
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