Saturday, August 13, 2016

“ESPADA-ARAUTO DA TERRA” ou
“NÃO EXISTEM IMÓVEIS”
____________________



Me atirei da janela concreta
E me arruei em faísca de pedra.

Desmoronei desbroncando as marretas internas.
E quis deslizar no cimento. Cantando!
"Corri, corri!" Corri pra caramba.


De extasiar o peito
Num auto exalar de êxito.


Eu,
Espadarauto da Terra.


Saí cortejando as faces morteiras, anamórficas, geômetras
Dissociando-se se das áreas.


Não existem imóveis.
Não há números na porta.
Nem o gelo é liso
E mesmo assim deslizo!


Tchá! Vou cortando: “Disso eu sei!
Trago na lâmina a verdade em Sol:


Cá ecoam qual mosaico
As turgidas continuidades
De um morro capinado".


E eu,
Espadarauto da Terra
Só preciso refletir


Com luz as dores,  
Com dobra as frestas,
Com cor as retas.


E atestar-me.


Espadando-me em fluxos nocivos,
Espirando as flores fúnebres
E asfaltando os cal-canhares.


Vim lembraminar esta vista!
Ver surgir e ressurgir os tempos idos deste bosque!

Mesmo adepto do corte
O eco do bosque é forte
Entre o mal gerador da sorte
E o bem cultivando a morte.


Lá! O velho monte
É alvo!


Cá a velha feita
É seta!


A chuva, um beijo quente
O ato.


Apenas acato o ato.
________________________


Sobre o poema pelo autor:

Foi algo que me acometeu quando resolvi dar uma corrida pelo bairro, num dia que a monotonia e a esterilidade estavam me adentrando.
De repente toda aquela manta de concreto que fora ali colocada e mantida, por décadas, não só velando como escondendo a natureza da montanha, se transpareceu ao passo da minha corrida e a ancestralidade do local se materializou dentro e fora de mim.

No comments:

Post a Comment