Sunday, August 14, 2016

EU SOU A SÓLIDA VOZ CORTANTE DO ATO


Embrenhando pela solidez do ato,
Destrinchando o ocaso do Mato,
A fortuna
É a mão garimpeira donde brotam meus nomes,
Meus fatos.

Mas
Que há de vir, há de chegar,
Senão
Já é Tudo e o Mar.

Mas muito se é!
Metade
Não é.
Metade
É o mar:

Berço escuro da Terra.
Húmida gruta,
Placenta do Vento,
Concretas façanhas do tento.

D’onde eu tento,
Ou lamento não ter chegado
Abarcando atrás do Inteiro, desenho do Tempo.

Tormento?
Eu aguento desaguamento.

Me ilhando pelo Oceano,
Emergindo das incertezas.

Emergindo,
D’onde o Caos é massa firme quase opaca de tristeza e faca
Flores! Terras!
Nascem rios!

Brota Mato, brotamento,
Brota membro, semideuses, plantas, bicho.
Bicho alegre tendendo à Deus.
Bicho triste destrinchando
Sem conceito o peito
Da Mata.

“Não conheço o Mato, me apego ao desmato.”
Mas é disso que se dói.

E na dor eu mato
E volto ao Mato.
E é disso que se nasce o fato.

Do tento desatento portando uma esfera de foco
Que ele lança pelo Amor.
Dizendo:

“Que eu arde, que eu ria,
Que eu flua, feito flora
Que se molha junto ao rio!

Que eu goze, que eu chore,
Achatado feito pedra
Que se areia sem vazio!”

O tento é farinha do rio,
Fundindo num funil de formas telúricas
Estátuas molengas de agendas divinas
Surgem paridas.

Formas altas, formas laicas,
De paixões, tensões erráticas,
E de des-em-bre-nha-men-to
De algarismo
E fé ao tato.

E contemplando tais eventos,
Ingerindo tais momentos,
Despido de juz,
Colorido de luz,
Eu mergulhei
Na opaca foz do ato.

A sólida voz cortante do Mato.

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Sobre o poema pelo autor:
Acho que esse ficou um pouco tenso, com sonoridade tensa, que não era o que eu queria. Mas é justamente sobre as coisas tensas, sólidas que aparecem na imprevisibilidade e ditam os passos das tentativas. Mas sei lá, eu gostei. Temos que deixar o mato nos cortar pq é assim que ele dialoga com nosso corpo.

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